Alcides da Rocha Miranda

Alcides da Rocha Miranda

Local de nascimento Rio de Janeiro, Brasil
Nasc. / falec. 1909 - 2001
Escola e ano de formação Escola Nacional de Belas Artes ,  1932

Biografia

Alcides Áquila da Rocha Miranda nasceu no Rio de Janeiro em 6 de julho de 1909, e passou parte da infância e juventude na cidade de Petrópolis (RJ). Ingressou como aluno livre na Escola Nacional de Belas Artes em 1925, formando-se em Arquitetura em 1932. Também realizou estudos artísticos com Candido Portinari e Alberto da Veiga Guignard, no Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal, entre 1935 e 1937.

O início de sua carreira profissional está associado ao escritório formado por Lucio Costa e Gregori Warchavchik. Em 1933, transferiu-se para o escritório do engenheiro Emílio Baumgart, onde permaneceu até 1950. Posteriormente, ingressou o SPHAN/IPHAN, onde atuou ao lado de Lucio Costa e outros arquitetos modernistas como técnico, pesquisador, parecerista e agente de preservação por cerca de 40 anos.

Em Minas Gerais, sua atuação como técnico do SPHAN/IPHAN aparece ligada à definição dos perímetros de preservação de São João Del Rei e Ouro Preto, incorporando uma lógica de tombamento mais ligada à cidade histórica como tecido urbano do que centrada em monumentos isolados.

Na docência, Alcides atuou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo entre 1950 e 1955, assumindo a cadeira de Plástica. Também foi um dos idealizadores da Universidade de Brasília (UnB), ao lado Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, sendo criador e primeiro diretor do Instituto Central de Artes, em 1962. Sua passagem pela UnB teria sido interrompida em 1965, no contexto do regime militar instalado em 1964, ao participar do movimento de renúncia coletiva com mais de 200 docentes contra a repressão vivida na Universidade.

A produção arquitetônica de Alcides Rocha Miranda é ampla e heterogênea, onde se destacam: a Igreja Nova das Romarias, em Caeté (MG), de 1974; A Igreja e Centro Social Nossa Senhora das Graças, em Nova Friburgo (RJ), de 1955; O Altar-Monumento para o XXXVI Congresso Eucarístico Internacional, na cidade do Rio de Janeiro, em 1955, projeto monumental temporário em colaboração com Elvin Mackay Dubugras e Fernando Cabral Pinto, a partir de risco original de Lúcio Costa. No campo educacional se destacam: a Faculdade de Educação da Universidade de Brasília, Campus Darcy Ribeiro, em 1961-1962, em colaboração com Luís Humberto Pereira, José Lopes da Silva e Alex Chacon; O Auditório Dois Candangos, em 1962, também na mesma Universidade; O Instituto do Professor Primário, em 1951, posteriormente incorporado à Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), projetado em colaboração com José de Souza Reis.

No campo residencial ganham destaque: a Residência Rocha Miranda, no bairro da Gávea, Rio de Janeiro, em 1938; a Residência Celso da Rocha Miranda, em Petrópolis (RJ), projetada em 1942; e a Residência Maria do Carmo e José Nabuco, na cidade do Rio de Janeiro, de 1957-1958.

Também foi responsável pelo projeto do Cine Guaraci, no bairro de Rocha Miranda, no Rio de Janeiro, inaugurado em 1953; a Fábrica de Relógios Aliança, de 1948; o projeto de intervenção no antigo Hospício Pedro II, na Praia Vermelha, em 1981, adaptando o espaço para uso da Fundação Universitária José Bonifácio, no Rio de Janeiro; e o projeto de adaptação de uma residência neogótica para uso da Companhia Internacional de Seguros, em 1976, também no Rio de Janeiro. O Museu das Moldagens, da Escola Nacional de Belas Artes, foi um projeto de 1954 não construído, assim como o Centro Educativo de Arte Teatral, de 1947. Também contaram com a sua participação os projetos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, em Brasília; a ampliação do Fluminense Futebol Clube; a Policlínica Geral do Rio de Janeiro; a Capela na Rua Icatu; e o Museu do Folclore, este últimos, na cidade do Rio de Janeiro.

Miranda recebeu algumas distinções, destacando-se: Título de Notório Saber em Arquitetura e Urbanismo pela USP, em 1973; Medalha do Mérito Santos Dumont, do Ministério da Aeronáutica; Medalha Santos Dumont do Governo de Minas Gerais; e Medalha Comemorativa dos 50 anos do IPHAN, em 1987.

Alcides da Rocha Miranda faleceu no Rio de Janeiro em 22 de outubro de 2001 e seu nome aparece frequentemente associado a importantes artistas, arquitetos e intelectuais brasileiros como: Lúcio Costa; Gregori Warchavchik; Elvin Mackay Dubugras; Fernando Cabral Pinto; José de Souza Reis; Luís Humberto Pereira; José Lopes da Silva; Alex Chacon; Zanine Caldas; Joaquim Cardozo; Darcy Ribeiro; Anísio Teixeira; Candido Portinari; Alberto da Veiga Guignard; Rodrigo Melo Franco de Andrade; Sylvio de Vasconcellos; Alexandre Altberg; João Lourenço da Silva; Adhemar Portugal e Cláudio Pastro.

Produção destacada

Brasília - DF

Faculdade de Educação da Universidade de Brasília – 1961-1962

Edifício educacional universitário, no Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília, em colaboração com Luís Humberto Pereira, José Lopes da Silva e Alex Chacon.

Rio de Janeiro - RJ

Escola de Arte Dramática – 1947

Projeto cultural e educacional não construído.

Petrópolis - RJ

Fábricas em Petrópolis – 1948

Edifícios industriais na cidade, sendo identificada apenas a Fábrica de Relógios Aliança.

São João del-Rei - MG

Estudos técnicos de preservação urbana de São João del-Rei – 1947

Alcides foi técnico do SPHAN/IPHAN, responsável ou participante em estudo urbano-patrimonial e definição de perímetro de preservação.

Ouro Preto - MG

Estudos técnicos de preservação urbana de Ouro Preto

Alcides foi técnico do SPHAN/IPHAN, responsável ou participante em estudo urbano-patrimonial e definição de perímetro de preservação.

Saiba mais

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Imagens

Foto 3 – Alcides da Rocha Miranda – fonte: livro Quando o Brasil era Moderno, pág. 58;

Foto 3.2 – Faculdade de Educação da UNB, DF, fonte: Revista Acrópole, ano 01/1970, nº 369 pág. 35;

Foto 3.3 – Escola de Arte Dramática – fonte: Revista L’architecture D’aujourd ‘hui, ano 03/1949, pág. 15;

Foto 3.4 – Oficinas/Fábrica em Petrópolis, RJ – fonte: Revista L’architecture D’aujourd ‘hui, ano 08/1952, pág. 30;

Foto 3.4.1 – Oficinas/Fábrica em Petrópolis, RJ – fonte: Revista L’architecture D’aujourd ‘hui, ano 08/1952, pág. 31;

Foto 3.4.2 – Oficinas/Fábrica em Petrópolis, RJ – projeto 1948, fonte: livro Quando o Brasil era Moderno, pág. 62;

Foto 3.4.3 – Oficinas/Fábrica em Petrópolis, RJ – projeto 1948, fonte: livro Quando o Brasil era Moderno, pág. 63;

Foto 3.4.4 – Oficinas/Fábrica em Petrópolis, RJ – planta baixa do projeto de 1948, fonte: livro Quando o Brasil era Moderno, pág. 63;

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