Elisiário Bahiana

Elisiário Bahiana

Local de nascimento Rio de Janeiro, Brasil
Nasc. / falec. 1891 - 1980
Escola e ano de formação Escola Nacional de Belas Artes ,  1920

Biografia

Elisiário Antônio da Cunha Bahiana nasceu no Rio de Janeiro em 4 de dezembro de 1891. Ingressou na Escola Nacional de Belas Artes em dois momentos: em 1908, interrompido em 1911, e retomando a formação entre 1918 e 1920, quando recebeu o diploma de engenheiro-arquiteto.

A trajetória profissional de Bahiana está ligada, no Rio de Janeiro, a sua proximidade com o arquiteto francês Joseph Gire, e em São Paulo tem associação com a Sociedade Comercial e Construtora S.A.. Ainda na capital paulista, é bem documentado seu vínculo docente com o curso de Arquitetura do Mackenzie a partir de 1943, ministrando as disciplinas de Arquitetura Paisagista, Organização do Trabalho e Prática Profissional, onde teria permanecido até 1970.

Em relação a seus projetos de destaque, pode ser citado, no Rio de Janeiro, o Edifício A Noite, na Praça Mauá, inaugurado em 1929 e desenvolvido em parceria com Joseph Gire e com cálculo estrutural de Emílio Baumgart. Ainda aparecem o edifício comercial para Sylvio Portugal, na Ponta do Calabouço, de 1930, e a Escola de Guerra Naval, como anteprojeto sem data explicitada.

Em São Paulo, onde deixou um grande conjunto de obras, a Coleção Elisiário Antônio da Cunha Bahiana, pertencente aos Acervos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo — FAUUSP, identifica 69 projetos, com 124 registros ligados a Bahiana, com cobertura temporal entre 1929 e 1974. Nessa documentação, constam documentos relacionados aos: Edifício Saldanha Marinho, de 1929, projetado por Bahiana e concluído por Dácio A. de Morais; o Novo Viaduto do Chá, vencedor de concurso de projeto de 1934, com construção pela Companhia Construtora Nacional S.A entre 1934-1938; o Edifício João Brícola / Mappin, de 1936-1939; a Rádio Cultura de São Paulo, de 1937-1939; o Hipódromo / Jockey Club de São Paulo, com projeto original de 1937 em parceria com  Henri Sajous e construído pela Sociedade Comercial e Construtora Ltda entre 1937 e 1941;

Nas décadas seguintes, aparece um grande conjunto de obras e projetos, ainda na cidade de São Paulo, relacionado nessa documentação: o Estádio Conde Rodolfo Crespi / Clube Atlético Juventus, de 1940-1941, em parceria com Heitor Portugal; a Vila Operária para funcionários da Vidraria Santa Marina, de 1943; em 1944, o Edifício IPASE; entre 1945 e 1947, o Edifício Conde Prates e o Clube Rural Morumbi; entre 1949 e 1951, a Residência Haydee de Mello Zarvos, a Adega-Bar para Erasmo Alfredo do Amaral Carvalho e o edifício residencial para Vera D’Agostini Sabbattin; em 1951-1952, a Secretaria da Fazenda; em 1953, as Casas Operárias C.A.C.A., o Círculo Ítalo-Brasileiro para Gabriele D’Annunzio e a residência Fernando de Campelo Gentil; em 1954, as esquadrias dos terraços do Edifício Virgínia; no ano seguinte a residência Walter Althoff; em 1956 o edifício de apartamentos à Rua Caraíbas. Em 1957 o edifício comercial à Rua Aurora, o edifício de apartamentos e lojas à Rua Aurora, o edifício à Rua Martins Fontes, o edifício comercial à Rua Guaicurús e a residência Alberto Guidi; entre 1957 e 1960, a residência Paulo Carlos Smith de Vasconcellos, em Santo Amaro.

Já nos anos 1960, os apartamentos à Praça da República e a residência Clélia Potenza, no Jardim Itanhaém; em 1961, o edifício residencial à Rua Pamplona, o São Paulo Clube, na Avenida Higienópolis, e o Clube Atlético Paulistano, à Rua Colômbia; em 1963, o edifício misto de apartamentos, escritórios e lojas na Rua Conselheiro Nébias, na Barra Funda; entre 1963-1964, há os projetos do Banco do Comércio e Indústria de São Paulo/COMIND, incluindo a unidade na Rua da Consolação e a agência/residência na Praça Cambuci. Entre 1965-1966, o Restaurante Ao Franciscano e, no ano seguinte, os projetos diversos de comércio para o Shopping Iguatemi. Em 1973, a residência de Alberto Jackson Byington Neto, no Alto de Pinheiros. Ainda em São Paulo, há registros sem data definida do estudo de tráfego na Avenida São João; remodelação do Parque Anhangabaú; ponte sobre o Rio Tietê à Avenida Tiradentes; nova ponte sobre o Rio Tietê; Centro Educacional do Ipiranga; e alguns projetos residenciais ou pormenores sem identificação completa de endereço.

Ainda podem ser relacionados a Bahiana, no estado de São Paulo: as agências da Caixa Econômica do Estado de São Paulo em Catanduva, Bragança Paulista, de 1941, e Piracicaba; a Prefeitura e Câmara Municipal de Campinas; o Grupo Escolar Holambra, da Prefeitura de Jaguariúna; em São Vicente, em 1946, o edifício residencial à Rua Onze de Junho; em Valinhos, de 1949 a 1956, as esquadrias da Casa Grande da Fazenda São João da Boa Vista; Em Cotia, a residência para Bruno Grassi, de 1974; em São Bernardo do Campo, em 1970, o jazigo para Waclaw Marian Lewandowski e um conjunto de residências para o Sr. Walter, de 1974; além de projetos não identificados e sem cidade definida.

Em relação a sua produção intelectual se destacam o artigo “As épocas e a architectura”, publicado em Architectura e Construcções, vinculada à Sociedade Commercial e Constructora Ltda., e “Necessidades arquitetônicas do Rio de Janeiro. A casa de residência e o estilo dos arranha-céus”, publicado no O Jornal, Rio de Janeiro, seção 2, em 1º de maio de 1927.

Elisiário Antônio da Cunha Bahiana faleceu em São Paulo em 14 de agosto de 1980.

Produção destacada

São Paulo - SP

Hipódromo / Jockey Club de São Paulo – 1937 - 1941

Elisiário Bahiana foi vinculado ao projeto original; Henri Sajous associado como parceiro/remodelador posteriormente; Sociedade Comercial e Construtora Ltda. na construção.

São Paulo - SP

Novo Viaduto do Chá – 1934

Elisiário Bahiana foi autor do projeto vencedor de concurso; Companhia Construtora Nacional S.A. na construção; Erich Meili e Gustavo Gam no projeto estrutural.

Edifício Saldanha Marinho – 1929-1933

Edifício Saldanha Marinho – 1929 - 1933

Elisiário Bahiana foi autor do projeto; Dácio A. de Morais associado à execução.

São Paulo - SP

Rádio Cultura de São Paulo – 1937 - 1939

Elisiário Bahiana foi autor do projeto; Sociedade Comercial e Construtora S.A. vinculada à construção.

Rio de Janeiro - RJ

Edifício A Noite / Edifício Joseph Gire – 1927 - 1929

Elisiário Bahiana foi parceiro/coautor no desenvolvimento arquitetônico; Joseph Gire como arquiteto associado; Emílio Baumgart no cálculo estrutural.

Saiba mais

ACERVOS FAUUSP. Elisiário Antônio da Cunha Bahiana: Coleção B147. São Paulo: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo, [s.d.]. 69 projetos; 124 registros digitais; cobertura temporal 1929-1974. Disponível em: https://www.acervos.fau.usp.br/s/acervos/item-set/2619.

ACERVOS FAUUSP. Projetos não identificados [Elisiário Antônio da Cunha Bahiana]. São Paulo: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.acervos.fau.usp.br/s/acervos/item/4434.

ALVIM, Angélica Tanus Benatti; ABASCAL, Eunice Helena Sguizzardi; ABRUNHOSA, Eduardo Castedo (org.). Arquitetura Mackenzie 100 anos; FAU-Mackenzie 70 anos: pioneirismo e atualidade. São Paulo: Editora Mackenzie, 2017. Disponível em: https://books.scielo.org/id/xrrzx/pdf/alvim-9788582937266.pdf.

ARQUIVO ARQ. Edifício João Brícola. São Paulo: Arquivo Arq, [s.d.]. Disponível em: https://arquivo.arq.br/projetos/edificio-joao-bricola.

ARQUIVO ARQ. Edifício Saldanha Marinho. São Paulo: Arquivo Arq, [s.d.]. Disponível em: https://arquivo.arq.br/projetos/edificio-saldanha-marinho.

ARQUIVO ARQ. Elisiário Bahiana. São Paulo: Arquivo Arq, [s.d.]. Disponível em: https://arquivo.arq.br/profissionais/elisiario-bahiana.

ARQUIVO ARQ. Hipódromo do Jockey Club. São Paulo: Arquivo Arq, [s.d.]. Disponível em: https://arquivo.arq.br/projetos/hipodromo-do-jockey-club.

ARQUIVO ARQ. Rádio Cultura de São Paulo. São Paulo: Arquivo Arq, [s.d.]. Disponível em: https://arquivo.arq.br/projetos/radio-cultura-de-sao-paulo.

ARQUIVO ARQ. Viaduto do Chá. São Paulo: Arquivo Arq, [s.d.]. Disponível em: https://arquivo.arq.br/projetos/viaduto-do-cha.

BAHIANA, Elisiário. As épocas e a architectura. Architectura e Construcções, São Paulo, [s.d.].

BAHIANA, Elisiário. Necessidades arquitetônicas do Rio de Janeiro: a casa de residência e o estilo dos arranha-céus. O Jornal, Rio de Janeiro, seção 2, p. 3, 1 maio 1927.

CAMPOS, Vitor José Baptista. O art déco na arquitetura paulistana: uma outra face do moderno. 1996. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) — Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/tde-31052022-094223/publico/Campos_Vitor_Jose_Baptista_ME_1996.pdf.

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Imagens

Foto 19 – Elisiário da Cunha Bahiana – fonte: site arquivo arq.;

Foto 19.2 – Novo Hipódromo de São Paulo, SP – Fachada principal – fonte: revista Acrópole, ano 08/1938 08, nº 4, pág. 41;

Foto 19.2.1 – Novo Hipódromo de São Paulo, SP – Planta baixa dos pavimentos – fonte: revista Acrópole, ano 08/1938 08, nº 4, pág. 43;

Foto 19.2.2 – Novo Hipódromo de São Paulo, SP – Fachada lateral e corte transversal – fonte: revista Acrópole, ano 08/1938 08, nº 4, pág. 44;

Foto 19.2.3 – Novo Hipódromo de São Paulo, SP – fonte: IMS – Coleção Juca Martins, data: 07/1997;

Foto 19.2.4 – Novo Hipódromo de São Paulo, SP – fonte: IMS – Coleção Juca Martins, data: 07/1997;

Foto 19.3 – Viaduto do Chá, São Paulo, SP – fonte: revista Acrópole, ano 08/1938 08, nº 4, pág. 45;

Foto 19.4 – Edifício Saldanha Marinho, São Paulo, SP – fonte: site arquivo arq. – ano 1929 a 1933;

Foto 19.5 – Edifício da Rádio Cultura de São Paulo, SP – fonte: site arquivo arq. – ano 1937 a 1939;

Foto 35.1 – Edificío A Noite em construção – fonte: Acervo da Revista A Casa/BND, ano 1928, edição 0046, pág. 20;

Foto 35.1.1 – Edificío A Noite – fonte: Acervo da Biblioteca do IBGE, s/d;

Foto 35.1.2 – Edificío A Noite – fonte: BND, s/d;

Foto 35.1.3 – Plantas do Edifício A Noite – 1º pavimento e sobreloja – fonte: Livro: Joseph Gire – A construção do Rio moderno – pág. 114;

Foto 35.1.4 – Plantas do Edifício A Noite – 3º pavimento (tipo) e 22º pavimento – fonte: Livro: Joseph Gire – A construção do Rio moderno – pág. 116;

Foto 35.1.5 – Edificío A Noite – fonte: site Europeana, circa 1937-1939;

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