CAU/RJ
Gilberto Machado Brandão, conhecido publicamente como Gil Brandão, nasceu no estado de Pernambuco, em 1924. Não se tem notícias do ano de sua chegada no Rio de Janeiro, mas é possível verificar sua conclusão do curso de Arquitetura da Universidade do Brasil em 1958, com desempenho destacado pelos colegas. Algumas fontes bibliográficas informam também sua formação em Medicina e a pós-graduação em Psiquiatria, mas não foram encontradas referências primarias ao assunto.
Apesar da formação comprovada em Arquitetura, foi sua atuação como profissional da moda e da cultura gráfica que lhe trouxe destaque. Antes de sua consolidação na imprensa de moda, Gil Brandão aparece associado à história em quadrinhos Raça e Coragem, publicada na revista infantil Sesinho, publicada pelo SESI — Serviço Social da Indústria — no Rio de Janeiro, por volta de 1948.
A partir de 1951, Gil Brandão começa a trabalhar na revista Fon-Fon como desenhista e colaborador do Departamento de Modas, envolvido na criação de modelos, ilustrações e moldes para leitoras. Nesse ano, a revista anunciava que, sob orientação do referido departamento, Gil Brandão desenharia modelos exclusivos a partir de dados físicos e da finalidade da roupa. Durante os anos de 1951 e 1958, a presença na Fon-Fon consolidou sua imagem pública como desenhista e modelista. A revista de grande circulação permitia que seus modelos fossem reproduzidos por leitoras, costureiras e mulheres sem formação profissional formal.
Em janeiro de 1959, Brandão iniciou sua colaboração no Jornal do Brasil, vínculo que se estendeu até o final de 1967. Ali, assinou ou foi associado a seções como: Aprenda a costurar; Escolha o seu modelo; O modelo da semana; Nossas crianças; Interpretação de um modelo; e Correspondência de Gil Brandão. A importância dessa fase está no alcance do jornal e no caráter pedagógico de sua produção, que não apenas desenhava modelos, mas traduzia formas, medidas e procedimentos em linguagem acessível, permitindo que leitoras aprendessem noções de corte, costura e modelagem. Essa colaboração teria reunido mais de 2.000 criações entre figurinos e moldes. A atuação no Jornal do Brasil é o centro de sua consagração pública.
A partir de 1965, sua colaboração com a revista Manequim é acompanhada da afirmação de que Gil Brandão teria sido seu primeiro modelista. Também aparecem referências à Figurino Moderno, Noiva Moderna e outras publicações de moda. A obra Aprenda a Costurar, datada recorrentemente de 1967, é sua publicação didática mais consolidada. Outros títulos também foram atribuídos a ele como: Curso de Corte e Costura, Faça Você Mesma, Acabamentos de Costura, Vinte e três Modelos de Vestidos, Trinta e cinco Modelos de Saias e Moldes Gil Brandão.
Depois do ciclo profissional no Jornal do Brasil, Gil Brandão aparece associado à Gil Brandão Modas, Informativo Gil Brandão e registros ligados ao Acervo Zuzu Angel, com ocorrências especialmente em 1968 e 1973.
Gil Brandão faleceu tragicamente, assassinado no Rio de Janeiro em 12 de dezembro de 1983. Foi reconhecido como um dos responsáveis por transformar o corte, a costura e a modelagem em uma linguagem gráfica acessível e de fácil entendimento, sendo um importante agente de destaque na popularização da moda.
Livro
Autor de publicação didática de corte, costura e modelagem do vestuário.
Livro
Autor de publicação de moda.
Revistas
Autor de série/publicação didática de moldes e modelagem do vestuário.
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