CAU/RJ
Aldary Henriques Toledo nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1915. Passou a infância e juventude na região da Praça Tiradentes, espaço urbano de forte circulação teatral, artística, boêmia e cultural na primeira metade do século XX. Em depoimento ao Projeto Portinari, realizado em 1982, Aldary Toledo aponta esse universo como central para o seu processo de formação. Seu pai, Quirino Alves de Toledo, era natural de Brodowski, no interior de São Paulo, e que sua mãe, Alzira Toledo, também ligada à cidade, o que ajuda a explicar a proximidade entre as famílias Toledo e Portinari.
A formação de Aldary Toledo se estruturou entre esses dois eixos, as artes plásticas e a arquitetura. Ingressou na Escola Nacional de Belas Artes em 1933, inicialmente com interesse voltado às artes plásticas, mas optou pelo curso de arquitetura após o contato e a influência exercida por seu professor, o arquiteto Carlos Leão, concluindo o curso em 1939. Paralelamente à sua formação como arquiteto, também frequentou o curso de pintura e mural da Universidade do Distrito Federal – UDF, onde Cândido Portinari era professor. Aldary era discípulo de Portinari desde os 18 anos, participando do ambiente artístico ligado a seu mestre. No acervo legado pelo pintor, pode ser observado a tela “Retrato de Aldary Toledo”, datado de 16 de outubro de 1936 e associado ao dia de sua maioridade.
Logo após sua formação, Aldary Toledo se inseriu no campo profissional da arquitetura moderna. Em 1940, integrou o Serviço de Arquitetura da Comissão do Plano Piloto para a Universidade do Brasil (projeto inicialmente previsto para a região da Quinta da Boavista), em equipe liderada por Carlos Leão, ao lado de Hélio Uchoa, Jorge Machado Moreira, Oscar Niemeyer e Attilio Corrêa Lima. Posteriormente, atuou como arquiteto adjunto no Escritório Técnico da Universidade do Brasil, sob liderança de Jorge Machado Moreira (projeto construído na Ilha do Fundão). Esse período inicial também reforça a importância de Carlos Leão em sua trajetória, onde aparece simultaneamente como professor, referência intelectual, parceiro profissional e figura de mediação entre Aldary e o núcleo moderno do Rio de Janeiro.
Em 1943, Aldary participou da exposição “Brazil Builds: Architecture New and Old, 1652-1942”, organizada pelo Museum of Modern Art de Nova York, com um projeto de uma casa de campo junto à Lagoa de Araruama, no Estado do Rio de Janeiro, elaborado em 1942. A obra é identificada na bibliografia especializada como Fazenda São Luís, ou Fazenda São Luiz/Hermenegildo Sotto Maior.
Outro conjunto de projetos e obras de grande relevância relacionados ao arquiteto se encontram em Cataguases, Minas Gerais. A cidade, já conhecida desde as décadas de 1920 e 1930 por experiências literárias, cinematográficas e artísticas modernas, se tornou, nas décadas seguintes, um laboratório de arquitetura moderna. A presença de industriais, intelectuais e agentes culturais locais permitiu a contratação de arquitetos como Oscar Niemeyer, os irmãos Roberto, Francisco Bolonha, Carlos Leão, Gilberto Lemos e o próprio Aldary Toledo. É destaque na cidade o Cine Teatro Edgard/Cine Teatro Cataguases, projeto feito em parceria com Carlos Leão em 1946, com inauguração em 1953. Também se destaca o projeto do Hotel Cataguases, elaborado em parceria com Gilberto Lemos, paisagismo de Carlos Percy e escultura de Jan Zach. As obras do hotel tiveram início em 1948 e inauguração em 28 de julho de 1951. Aldary Toledo ainda teria participado de projetos particulares na cidade, com destaque para os as residências de José Pacheco de Medeiros, de Josélia Peixoto Medeiros, além da Nova Matriz de Nossa Senhora do Rosário.
Um dos vínculos profissionais mais importantes de Aldary Henriques Toledo foi com o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários – IAPB, órgão previdenciário que, como outros institutos do período, teve papel relevante na produção de habitação, edifícios administrativos e equipamentos vinculados ao Estado desenvolvimentista. Aldary Toledo trabalhou no IAPB entre 1945 e 1980, chegando à chefia da Divisão de Engenharia entre 1957 e 1966. No IAPB, sua atuação se relacionou tanto à prática projetual quanto à formação de arquitetos, sendo o caso mais significativo o de João Filgueiras Lima, o Lelé, que se aproximou de Aldary Toledo ainda estudante, frequentou sua casa e seu círculo intelectual, e foi por ele encaminhado ao ambiente profissional do Instituto dos Bancários.
No campo da produção ligada ao IAPB, a obra mais relevante associada a Aldary é a Superquadra Sul 109, em Brasília, desenvolvida entre 1960 e 1965, em colaboração com João Filgueiras Lima e Luigi Pratesi, no contexto da construção das primeiras superquadras do Plano Piloto. A SQS 109 integra o conjunto de experiências habitacionais promovidas pelos institutos de previdência na implantação da nova capital. Enquanto a SQS 108 também foi vinculada ao IAPB e contou com blocos associados a Oscar Niemeyer, a SQS 109 destinou-se a edifícios residenciais do Instituto dos Bancários. A particularidade do projeto estava em propor um número menor de edifícios do que o previsto ordinariamente para a superquadra e em inserir uma pequena escola no centro da quadra, solução que exigiu aprovação direta de Lucio Costa. Essa condição revela que Aldary Toledo não atuava apenas no desenho de blocos residenciais, mas participava de uma discussão sobre a adaptação do modelo da superquadra às exigências institucionais, pedagógicas e habitacionais do IAPB. Os projetos desenvolvidos junto com Aldary Toledo, por exemplo, anteciparam temas que se tornariam centrais na obra posterior de Lelé, como racionalização construtiva, clareza estrutural, organização seriada e articulação entre arquitetura, arte e vida coletiva. A presença de painéis de Athos Bulcão reforça essa dimensão de integração entre arquitetura e artes visuais, característica tanto da cultura moderna brasiliense quanto da própria formação artística do arquiteto.
A passagem de Aldary Toledo pelo IAPB também deve ser compreendida em conexão com outros projetos institucionais e bancários como aqueles para o Banco do Brasil em edifício histórico de Diamantina, em 1964, e uma agência da Caixa Econômica Federal em Teresópolis, em 1978, esta última em parceria com seu filho, o arquiteto Luiz Carlos Toledo.
O Núcleo de Pesquisa e Documentação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro guarda outros documentos e projetos ligados ao arquiteto, com destaque para o Conjunto Habitacional de Erechim, no Rio Grande do Sul, ligado ao IAPB, e para o Serviço de Alimentação da Previdência Social, que corresponde a um projeto de restaurante popular de 1949, em Natal.
Aldary Toledo também aparece associado a grandes programas técnicos, urbanísticos e industriais. No campo do urbanismo, sua participação mais antiga e significativa é o Plano Regional do Município de Barra Mansa, elaborado em 1941 por Attilio Corrêa Lima com sua colaboração. A importância desse trabalho é a realização do primeiro Cadastro Técnico Municipal, instrumento que articulava levantamento territorial, base fiscal, planejamento urbano e administração municipal, antecipando procedimentos que se tornariam centrais nos planos diretores brasileiros das décadas seguintes. A partir dos anos 1960, sua atuação é também vinculada à arquitetura industrial e petroquímica, especialmente em projetos para a Petrobras, como os Centros Petroquímicos Presidente Vargas, em Duque de Caxias (RJ), entre 1960 e 1966; e de Camaçari (BA), entre 1975 e 1978.
Sua produção artística, gráfica, editorial também merece ser destacada. A formação com Candido Portinari e sua atuação como desenhista e pintor atravessam toda a sua trajetória, onde produziu pinturas, desenhos, capas de discos, ilustrações de livros, cartões, cenários e colaborações gráficas. Entre as referências mais significativas está a participação como ilustrador na publicação Um signo uma mulher, de Vinícius de Moraes. Também aparecem referências a poemas e trocas artísticas com Carlos Drummond de Andrade, relações com Rubem Braga, Dorival Caymmi, Tônia Carrero, Carlos Thire e Sérgio Rodrigues, entre outros. Nos salões oficiais, a presença de Aldary Toledo é documentada nos catálogos do Salão Nacional de Belas Artes, em 1940, expondo dois retratos e uma composição e onde teria recebido uma medalha de prata. No catálogo do XLVII Salão, de 1941, participou da seção de desenho, com “Retrato de Nysa” e “Retrato de Jayme”.
Aldary Henriques Toledo faleceu em 1998.
Rio de Janeiro - RJ
Projeto posteriormente alterado por Adele Weber.
Cataguases - MG
Aldary foi arquiteto coautor com Gilberto Lemos/Gilberto Lyra de Lemos; paisagismo de Carlos Percy; e escultura de Jan Zach.
Cataguases - MG
Aldary foi arquiteto coautor com Carlos Leão.
Cataguases - MG
Paisagismo atribuído a Francisco Bolonha.
Cataguases - MG
Paisagismo atribuído a Francisco Bolonha.
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Foto 4.2 – Cine Teatro de Cataguases, MG (parceria com o Arquiteto Carlos Leão) – fonte: Revista L’architecture D’aujourd ‘hui, ano 08/1952, pág. 119;
Foto 4.2.1 – Cine Teatro de Cataguases, MG, 1946 a 1952 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 98;
Foto 4.2.2 – Cine Teatro de Cataguases, MG, 1946 a 1952 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 99;
Foto 4.2.3 – Cine Teatro de Cataguases, MG, 1946 a 1952 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 100;
Foto 4.2.4 – Cine Teatro de Cataguases, MG, 1946 a 1952 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 101;
Foto 4.2.5 – Cine Teatro de Cataguases, MG, 1946 a 1952 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 102;
Foto 4.2.6 – Cine Teatro de Cataguases, MG, 1946 a 1952, corte longitudinal – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 103;
Foto 4.2.7 – Cine Teatro de Cataguases, MG, 1946 a 1952, planta do 1º pavimento – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 104;
Foto 4.2.8 – Cine Teatro de Cataguases, MG, 1946 a 1952, planta do 2º pavimento – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 105;
Foto 4.2.9 – Cine Teatro de Cataguases, MG, 1946 a 1952, planta do 3º pavimento – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 106;
Foto 4.2.10 – Cine Teatro de Cataguases, MG, 1946 a 1952, planta do 4º pavimento – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 107;
Foto 4.2.11 – Cine Teatro de Cataguases, MG – perspectiva – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;
Foto 4.2.12 – Cine Teatro de Cataguases, MG – foto – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;
Foto 4.2.13 – Cine Teatro de Cataguases, MG – foto – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;
Foto 4.3 – Residência José Pacheco em Cataguases, MG – fonte: Revista L’architecture D’aujourd ‘hui, ano 08/1952, pág. 126;
Foto 4.3.1 – Residência José Pacheco em Cataguases, MG, 1945 a 1947 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 94;
Foto 4.3.2 – Residência José Pacheco em Cataguases, MG, 1945 a 1947 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 95;
Foto 4.3.3 – Residência José Pacheco em Cataguases, MG, 1945 a 1947 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 96;
Foto 4.3.4 – Residência José Pacheco em Cataguases – perspectiva – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;
Foto 4.3.5 – Residência José Pacheco em Cataguases – fotos – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;
Foto 4.3.6 – Residência José Pacheco em Cataguases – fotos – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;
Foto 4.4 – Hotel Cataguases, MG (parceria com o arquiteto Gilberto Lyra de Lemos, com paisagismo de Carlos Perry) – fonte: Revista L’architecture D’aujourd ‘hui, ano 08/1952, pág. 120;
Foto 4.4.1 – Hotel Cataguases, MG, 1948 a 1951 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 32;
Foto 4.4.2 – Hotel Cataguases, MG, 1948 a 1951 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 33;
Foto 4.4.3 – Hotel Cataguases, MG, 1948 a 1951, planta baixa do pavimento térreo – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 34;
Foto 4.4.4 – Hotel Cataguases, MG, 1948 a 1951, corte e planta baixa do pavimento tipo – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 35;
Foto 4.4.5 – Hotel Cataguases, MG, 1948 a 1951 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 36;
Foto 4.4.6 – Hotel Cataguases, MG, 1948 a 1951 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 37;
Foto 4.4.7 – Hotel Cataguases, MG – foto da fachada frontal – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;
to 4.4.8 – Hotel Cataguases, MG – fotos – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;
to 4.4.9 – Hotel Cataguases, MG – fotos – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;
to 4.4.10 – Hotel Cataguases, MG – fotos – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;
Foto 4.5 – Residência José Peixoto em Cataguases, MG – fonte: Revista Municipal de Engenharia, ano 04 a 06 de 1948, nº 2, pág. 41;
Foto 4.5.1 – Residência José Peixoto em Cataguases, MG – Plantas e perspectiva do Projeto, – fonte: Revista Municipal de Engenharia, ano 04 a 06 de 1948, nº 2, pág. 42;
Foto 4.11 – Aldary Toledo – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;
Foto 4.18 – ETUB – Perspectiva do Edifício do curso de Engenharia da atual UFRJ, Ilha do Fundão, RJ – s/d – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;