Alejandro Baldassini

Alejandro Baldassini

Local de nascimento Buenos Aires, Argentina
Nasc. / falec. 1893 - 1943

Biografia

Augustino Alejandro Baldassini nasceu em Buenos Aires, em 1893. As informações sobre sua infância, local de formação e chegada ao Brasil permanecem imprecisas. Os primeiros registros relacionados a sua atuação no Brasil aparecem em 1923, em um documento promocional da firma Gusmão, Dourado & Baldassini, que o apresenta como sócio e “architecte argentino”. A empresa, ativa no Rio de Janeiro nas décadas de 1920 e 1930, tinha como sócios os engenheiros civis Mário Gusmão e Adolpho Dourado Lopes. Segundo a documentação analisada, Gusmão e Dourado respondiam mais diretamente pela dimensão construtiva e empresarial, enquanto Alejandro Baldassini assumia a concepção arquitetônica ou plástica dos empreendimentos.

Em sua produção arquitetônica destacam-se três obras: Edifício Guinle, de 1928, na Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, considerado um marco da verticalização da avenida; o Edifício Ribeiro Moreira, também conhecido como Edifício OK ou Edifício Lido, localizado na Rua Ronald de Carvalho, em Copacabana, também de 1928, projeto identificado como o primeiro grande edifício de apartamentos do bairro, com 13 pavimentos e 47 apartamentos; e o Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes. Sua reconstrução, no estilo Art Déco, foi inaugurada em 26 de junho de 1930, após muitas polêmicas entre as alternativas de remodelação e demolição. O projeto e a execução ficaram a cargo da empresa Gusmão, Dourado & Baldassini, com Alejandro como figura de projeto e Emílio Baumgart no cálculo estrutural. Nesse projeto também se destacam a integração artística com os painéis Samba e Carnaval, de Emiliano Di Cavalcanti, no foyer superior.

A documentação coligida também atribui, com maior ou menor margem de erro, outros projetos com participação de Alejandro Baldassini, tais como: o Edifício Tamandaré, na Rua Almirante Tamandaré, no Flamengo, de 1927 e inaugurado em 1928; o Edifício Coronel Bueno, na Rua Senador Dantas, Centro; o Edifício Pedro de Magalhães Corrêa, também referido como sede da Associação dos Empregados no Comércio, na Avenida Rio Branco, e que aparece vinculado à firma Gusmão, Dourado & Baldassini, com cronologia oscilando entre início dos anos 1930 e 1937-1942. Em entrevista, Lucio Costa citou como autoria de Alejandro Baldassini um edifício com brise-soleil na Rua Barão do Flamengo (hoje já demolido), o definindo como primeiro brise-soleil carioca, com lâminas verticais basculantes e contraíveis em varandas, no entanto, o edifício permanece como não identificado; já a casa art déco da Rua Mário Portela, em Laranjeiras, aparece em memória urbana como obra atribuída à firma, com datação aproximada em 1929.

Outras obras aparecem com execução da firma Gusmão, Dourado e Baldassini, no entanto não é possível mensurar a participação de Alejandro Baldassini nos projetos, como no caso do edifício A Noite, na Praça Mauá, com projeto atribuído aos arquitetos Joseph Gire e Elisiário da Cunha Bahiana, com colaboração estrutural de Emílio Baumgart.  Entre os imóveis construídos pela empresa e localizados no Rio de Janeiro, são citados os edifícios: Azteca; Duque de Caxias; Egito; Hermé; Marcelle; Milton; Niagara; O Jornal; Pedro II; Plácido Martins; Rex; Rio Negro; Souza; Treze de Maio; Albergue da Boa Vontade; Arquibancada do Estádio do Flamengo; e a Fábrica Aziz Nader. Também aparecem com menção enquanto construção da empresa a Fábrica de Cimento Portland, de Niterói; o Hangar do Campo dos Afonsos; a Igreja de Santa Inês; as pontes sobre os rios Jangada, Piabanha e Preto, no Rio de Janeiro, e a Fábrica Pirelli, em São Paulo.

Sua produção intelectual pode ser observada em seu primeiro artigo publicado, denominado “Arquitetura Brasileira”, divulgado na revista Terra roxa e outras terras, de dezembro de 1926. Também atuou como fundador, ao lado de Emílio H. Baumgart, da revista Forma: Arquitetura, Engenharia e Artes Plásticas. Baldassini aparece como editor da revista em oito edições, publicadas entre setembro de 1930 e abril de 1931.

Alejandro Baldassini faleceu no e Rio de Janeiro, 1943. Sua rede de colaborações incluiu: Emílio Baumgart; Emiliano Di Cavalcanti e; Demétrio Ribeiro.

Produção destacada

Rio de Janeiro - RJ

Edifício Guinle – 1928

Baldassini foi o arquiteto projetista no contexto da firma Gusmão, Dourado & Baldassini, em sociedade com Mário Gusmão e Adolpho Dourado Lopes.

Rio de Janeiro - RJ

Edifício OK – 1928

Baldassini foi o arquiteto projetista no contexto da firma Gusmão, Dourado & Baldassini, em sociedade com Mário Gusmão e Adolpho Dourado Lopes.

Rio de Janeiro - RJ

Teatro João Caetano – 1929-1930

Baldassini foi o arquiteto projetista no contexto da firma Gusmão, Dourado & Baldassini, em sociedade com Mário Gusmão e Adolpho Dourado Lopes. Cálculo estrutural associado a Emílio Baumgart; integração artística com painéis de Emiliano Di Cavalcanti.

Saiba mais

ARQESTR. Alejandro Baldassini. Rio de Janeiro: PROURB/UFRJ, [s.d.]. Disponível em: https://www.arqestr.laurd-prourb.org/arquiteto.php?id=3.

BATISTA, Ana Maria Diniz. A poética do vernáculo. 2010. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) — Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2010. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/12289/1/diss%20juscelino.pdf.

BIAŁOBRZESKA, Joanna. Impulsos da Bauhaus no Brasil. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/bn/pt-br/atuacao/pesquisa-e-editoracao/programa-nacional-de-apoio-a-pesquisa/pnap-2016/impulsos-bauhaus-brasil-4674.pdf.

BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Hemeroteca Digital Brasileira: ocorrência de “Alexandre Baldassini” em periódico de 1924. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 1924. Disponível em: https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/067822/per067822_1924_00049.pdf.

BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Hemeroteca Digital Brasileira: matéria sobre a firma Gusmão, Dourado & Baldassini e obras da Inspetoria Federal de Águas e Esgotos. A Noite, Rio de Janeiro, 1931. Disponível em: https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/348970/per348970_1931_06891.pdf.

BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Hemeroteca Digital Brasileira: menção a “Alessandro Baldassini” como arquiteto ligado às obras do stadium do Flamengo. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 1938. Disponível em: https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/182664/per182664_1938_00023.pdf.

BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Hemeroteca Digital Brasileira: menção a “Alexandre Baldassini” em campanha de donativos para a Maternidade de Petrópolis. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 1942. Disponível em: https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/093092/per093092_1942_04338.pdf.

BRASIL. Biblioteca Nacional. Brasiliana Fotográfica: série “Teatros e cinemas do Brasil” VIII – O Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, no Dia Mundial do Teatro. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 27 mar. 2023. Disponível em: https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?tag=teatro-joao-caetano.

CAMPOS, Vitor Jose Baptista. O art-decó e a construção do imaginário moderno: um estudo de linguagem arquitetônica. 2003. Tese (Doutorado) — Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16131/tde-08022024-165102/pt-br.php.

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DIAS, Diego Nogueira. O estilo sob suspeita: tradição e modernidade em Archimedes Memória e Lucio Costa. 2023. Tese (Doutorado em Arquitetura) — Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2023. Disponível em: http://objdig.ufrj.br/21/teses/941782.pdf.

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GAMMARANO, Giuseppe. Gusmão, Dourado & Baldassini. [S.l.]: Gammarano, [s.d.]. Disponível em: https://fichagas.wixsite.com/gammarano/gusmao-dourado-baldassini.

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TRAJANO FILHO, Francisco Sales. Ensaios de pretensa vanguarda: revistas e cultura arquitetônica moderna no Brasil. Oculum Ensaios, Campinas, v. 16, n. 1, p. 83-100, jan./abr. 2019.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO. Laboratório de Urbanismo e Desenho da Cidade. Base de dados de arquitetos estrangeiros: Alejandro Baldassini. Rio de Janeiro: UFRJ, [s.d.]. Disponível em: https://www.arqestr.laurd-prourb.org/arquiteto.php?id=3.


Imagens

Foto 5.1 – Edifício Guinle, Centro, RJ – fonte: site Vitruvius, acesso:  arquitextos 232.07 história: Uma arquitetura de transição na paisagem urbana do Rio de Janeiro | vitruvius

Foto 5.2 – Edifício Ok, Copacabana, RJ – fonte: site Vitruvius, acesso:  arquitextos 232.07 história: Uma arquitetura de transição na paisagem urbana do Rio de Janeiro | vitruvius

Foto 5.3 – Teatro João Caetano, Praça Tiradentes, Centro, RJ – fonte: IMS – Coleção Augusto Malta, data: circa 1930;

Foto 5.3.1 – Teatro João Caetano, Praça Tiradentes, Centro, RJ – fonte: IMS – Coleção Augusto Malta, data: circa 1930;

Foto 5.3.2 – Teatro João Caetano, Praça Tiradentes, Centro, RJ – vista do interior – fonte: IMS – Coleção Augusto Malta, data: circa 1930;

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