CAU/RJ
Ângelo Bruhns de Carvalho nasceu no Rio de Janeiro em 1896. Ingressou no curso de Arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes, no início da década de 1910, obtendo seu diploma em 1917. Ainda no inicio de sua carreira profissional, aparece como um dos fundadores do Instituto Brasileiro de Arquitetos, em 1921. Em uma em fotografia de 1922, atribuída a Augusto Malta, Bruhns é identificado na legenda como então tesoureiro da instituição. No biênio 1932–1933, figura como presidente da entidade, que na gestão seguinte, após reforma estatutária, consolidou-se como Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).
Em sua atuação profissional, a parceria mais consistentemente documentada foi com José Cortez, onde também aparece o Escritório Bruhns e Cortez. Ambos aparecem como coautores do projeto da Escola Normal do Distrito Federal, atual Instituto de Educação do Rio de Janeiro, e também vinculados a propostas urbanas e projetos residenciais. Outra relação bem documentada de Bruhns foi com José Marianno Filho, figura central do movimento neocolonial, onde aparece no circuito de concursos, debates e encomendas associados a Marianno, especialmente no concurso do Solar Brasileiro. Ângelo Bruhns aparece como vencedor, no entanto, o projeto foi reelaborado por Marianno Filho, resultando no Solar Monjope, que foi efetivamente construído. Também são citadas suas relações com Lúcio Costa, Nereu de Sampaio, W. Preston, Paulo Hungria Machado e equipes vinculadas à Cidade Universitária da Universidade do Brasil. No caso de Lúcio Costa, essa relação é especialmente importante, uma vez que dois projetos de Ângelo Bruhns teriam superado o jovem Lucio Costa em concursos, como o Solar Brasileiro, em 1923, e a Escola Normal, em 1928.
Em relação a seus projetos de autoria individual, destaca-se a Vila Operária da Companhia Commercio e Navegação, em Niterói, projetada em 1919 e publicada em 1921 na revista Architectura no Brasil, e em 1922, no Boletim do Instituto de Engenharia. O projeto previa 158 casas, escola, igreja, instalações médicas, armazém, alojamento para solteiros e demais equipamentos comunitários.
No campo urbanístico, há referência a uma proposta de remodelação para cidade do Rio de Janeiro, elaborado em parceria com W. Preston, em 1922, e apresentado à administração do prefeito Carlos Sampaio. Em 1928, quando começaram a circular os primeiros resultados do Plano Agache, ocorre uma polêmica no Rio de Janeiro, que este seria uma cópia ou possível plágio de um estudo do escritório Cortez & Bruhns, elaborado em 1921. Com a polemica, a Revista da Semana publicou, em dezembro de 1928, a matéria “A Porta do Brasil: Réplica dos srs. Cortez & Bruhns”. Em outro número, a mesma revista publica a “Tréplica do sr. Agache”. O plano de Cortez & Bruhns foi publicado na revista alemã Der Städtebau, em 1928. Mais do que um debate sobre plágio, essa situação serviu para catalisar o debate entre urbanismo importado e autoria profissional brasileira.
Em relação a sua produção intelectual, podem ser destacados os artigos “Architectura moderna”, publicado na revista A Casa, n. 86, em 1931; o texto “O Estilo Colonial”, publicado no Boletim do Instituto de Engenharia, n. 63, em agosto de 1930; a conferência radiofônica “A pequena habitação e o seu aspecto social, econômico e urbano”, de 1931; e “A Casa e o Jardim”, publicado em 1935 na Revista da Directoria de Engenharia. Também há publicações editoriais ligadas a seus projetos: a Vila Operária, em Architectura no Brasil e no Boletim do Instituto de Engenharia; e o Edifício Assicurazioni Generali, em São Paulo, publicado na revista Acrópole, em 1959, e considerado obra tardia associada a Bruhns.
Em relação aos prêmios identificados, podem ser destacados: Concurso A Casa Brasileira, 1921 — segundo lugar; Concurso Solar Brasileiro / Prêmio Heitor de Mello, 1923 — primeiro lugar, com Lúcio Costa em segundo lugar e Nereu de Sampaio em terceiro; Concurso do Pavilhão do Brasil para a Exposição da Filadélfia, 1926 — terceiro lugar; Concurso da Escola Normal do Distrito Federal, 1928 — vitória de Bruhns/Cortez, associada à construção do Instituto de Educação; além da participação em concursos para a Embaixada da Argentina, Pavilhão Brasileiro em Sevilha e sede da Universidade de Minas Gerais, em 1928.
Ângelo Bruhns de Carvalho faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1975.
Niterói – RJ
Arquiteto autor do projeto arquitetônico, urbanístico e paisagístico em Ponta da Armação, Niterói, RJ.
Rio de Janeiro – RJ
Arquiteto coautor com José Cortez, pelo escritório Bruhns e Cortez; projeto vencedor do concurso da Escola Normal do Distrito Federal.
Rio de Janeiro – RJ
Publicado na revista A Casa.
Rio de Janeiro – RJ
Urbanista coautor pelo escritório Cortez & Bruhns, em parceria com José Cortez, com publicação e repercussão em 1928
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