Attílio Corrêa Lima

Attílio Corrêa Lima

Local de nascimento Roma, Itália
Nasc. / falec. 1901 - 1943
Escola e ano de formação Escola Nacional de Belas Artes ,  1925

Biografia

Attílio Corrêa Lima nasceu em Roma, Itália, em 1901, filho do escultor brasileiro José Octávio Corrêa Lima e da italiana Rosália Marzia Benfaremo. Chegou ao Brasil ainda na primeira infância, provavelmente entre 1906 e 1907, fixando-se com a família no Rio de Janeiro. Ingressou na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), entre 1919 e 1920, e completou etapas de formação geral e especial em Arquitetura e obteve o título de engenheiro-arquiteto em 1925. Durante a graduação, destacou-se por premiações acadêmicas, incluindo a Grande Medalha de Ouro e o Prêmio de Viagem à Europa. Parte da documentação atribui a ele uma distinção ao projeto “Pavilhão do Brasil na Exposição de Filadélfia”, em parceria com Ricardo Antunes. O Prêmio de Viagem foi decisivo para sua formação internacional. Em Paris, Attílio estudou no Institut d’Urbanisme de l’Université de Paris, associado à Universidade de Paris/Sorbonne, citado em alguns documentos como o primeiro brasileiro diplomado em urbanismo pela Universidade de Paris com a tese Avant Projet d’Aménagement et d’Extension de la Ville de Niterói au Brésil, trabalho de formação urbanística sobre Niterói entre 1930 e 1932. Há ainda menções sobre estudos complementares em sanitarismo no Conservatoire National des Arts et Métiers, a contato com os professores e urbanistas franceses Henri Prost, Marcel Poëte, Henri Sellier e Donat-Alfred Agache.

Após retornar ao Brasil, Attílio Corrêa Lima assumiu o papel pioneiro no ensino de urbanismo. Em 1932, foi nomeado interinamente para reger a cadeira de Urbanismo e Arquitetura Paisagista na ENBA, em contexto de renovação institucional associado à reforma conduzida por Lúcio Costa, permanecendo na docência até 1937, quando, no concurso para professor efetivo, teria sido preterido por José Octacílio Saboya Ribeiro.

No campo profissional, atuou ainda em frentes públicas e institucionais: Governo de Goiás; Prefeitura do Recife; Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários; Companhia Siderúrgica Nacional; Fábrica Nacional de Motores; e estudos regionais no Vale do Paraíba fluminense. Também aparecem menções a vínculos com o SPHAN/IPHAN e ao debate patrimonial, sobretudo em torno da Estação de Hidroaviões.

O plano de Goiânia é uma de suas obras mais conhecidas e bem documentadas, sendo reconhecido como autor principal do plano urbanístico original da nova capital, elaborado entre 1933 e 1935. No entanto, a cidade construída resultou de fases posteriores, alterações, revisões e interferências de outros agentes, entre eles Armando Augusto de Godoy e a empresa Coimbra Bueno.

Sua atuação em Recife aparece no Plano de Remodelação e Extensão da Cidade do Recife e Plano do Bairro de Santo Antônio, projetos de 1936 não executados. No plano urbano de Volta Redonda, elaborado em 1941, discute ainda a relação entre o núcleo fabril, o zoneamento social e a hierarquia industrial, porém, é importante distinguir o plano urbanístico geral de Attílio Correia Lima dos projetos arquitetônicos desenvolvidos por outros profissionais, como Glauco do Couto de Oliveira.

Com vitória no concurso realizado em 1937, a Estação de Hidroaviões do Aeroporto Santos Dumont é obra arquitetônica de destaque na carreira de Attilio. Também teriam participado de sua equipe Renato Soeiro, Jorge Ferreira, Renato Mesquita e Tomás Estrela. Na Estação das Barcas, no Rio de Janeiro, obra de 1940, o arquiteto aparece como autor principal do projeto. Ambas as obras foram incluídas na exposição Brazil Builds, realizada no MoMA de Nova York.

No campo da habitação social, há menções ao Conjunto Residencial da Várzea do Carmo e ao Conjunto Residencial de Heliópolis ambos em São Paulo, com trabalhos de Attílio e associados no IAPI. A Cidade Operária da Fábrica Nacional de Motores, em Duque de Caxias (RJ), aparece como projeto de 1943, interrompido pela morte do arquiteto.

Também surgem menção a projetos menores como residências, produção gráfica, desenho de mobiliário, escritório doméstico e peças preservadas no acervo familiar. Attílio Corrêa Lima faleceu no Rio de Janeiro em 27 de agosto de 1943, vítima de acidente aéreo no Aeroporto Santos Dumont. Sua atuação e morte prematura lhe conferiram muitas homenagens e reconhecimentos como o de patrono do urbanismo em Goiás; nome de logradouros; exposições retrospectivas; criação do Diretório Acadêmico Atílio Corrêa Lima, em 1944; recebimento póstumo da Medalha do Mérito do CONFEA em 1958; além da Comenda Attílio Corrêa Lima, instituída pelo CAU/GO.

Produção destacada

Rio de Janeiro - RJ

Estação de Hidroaviões do Aeroporto Santos Dumont – 1937 - 1938

Attilio Corrêa Lima foi autor do projeto vencedor do concurso; equipe com Renato Soeiro, Jorge Ferreira, Renato Mesquita e Tomás Estrela.

Volta Redonda - RJ

Plano Urbano de Volta Redonda – 1941

Attilio Corrêa Lima foi autor do plano urbanístico geral de Volta Redonda, que na época ainda fazia parte do município de Barra Mansa.

Goiânia - GO

Plano Urbanístico de Goiânia – 1933 - 1935

Attilio Corrêa Lima como autor principal do plano urbanístico que corresponde ao núcleo inicial da nova capital, com centralidade no atual Centro de Goiânia e no eixo do Centro Cívico/Praça Cívica. A cidade construída posteriormente recebeu alterações, revisões e interferências de outros agentes, entre eles Armando Augusto de Godoy e a empresa Coimbra Bueno.

São Paulo - SP

Conjunto Residencial da Várzea do Carmo – 1942

Attilio Corrêa Lima associado ao IAPI. Coautoria com Alberto de Mello Flores, Hélio Uchôa e José Theódulo da Silva.

Recife - PE

Plano de Remodelação e Extensão da Cidade do Recife – 1936

Attilio Corrêa Lima foi autor de estudo/plano urbanístico para Recife, vinculado à Prefeitura do Recife e à Comissão do Plano da Cidade.

Saiba mais

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