Enéas Silva

Enéas Silva

Local de nascimento Rio de Janeiro, Brasil
Nasc. / falec. 1904 - 1978
Escola e ano de formação Escola Nacional de Belas Artes ,  1931

Biografia

Enéas Trigueiro da Silva nasceu em Macaé (RJ), no ano de 1904. Após cursar três anos na Escola Politécnica, ao final da década de 1920 matriculou-se no curso de Arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), formando-se em 1931. A carreira de Enéas Silva ganhou projeção cedo, pois, naquele mesmo ano, foi nomeado Chefe da Divisão de Prédios e Aparelhamentos Escolares do Distrito Federal, momento em que o Brasil passava por uma profunda reforma educacional liderada por Anísio Teixeira.

Este educador considerava as instalações educacionais como parte fundamental do trabalho educativo: pensar as edificações escolares adequadas ao ensino se tornava parte fundamental para a execução de qualquer programa educacional, sendo parte indispensável para a realização de todos os demais planos de ensino. Em sua atuação como chefe de setor, Éneas Silva desenvolveu cinco tipos padronizados de edifícios escolares, concebidos para responder a critérios de densidade urbana, programa pedagógico, ventilação, iluminação natural, higiene e economia construtiva. Seu programa construtivo também contou com a colaboração técnica de importantes nomes da arquitetura carioca como: Wladimir Alves de Souza, Attílio Corrêa Lima, Paulo de Camargo Almeida e Raul Penna Firme.

Nesse contexto, mais do que projetos de edifícios isolados, Enéas Silva consolidou um sistema projetual de arquitetura escolar, em que o edifício era pensado como instrumento de transformação social, formulando diretrizes técnicas para a administração pública. No período à frente da divisão, o arquiteto coordenou a construção de cerca de 28 unidades escolares no então Distrito Federal. Entre as obras mais bem documentadas se destacam as escolas municipais República Argentina, em Vila Isabel; Getúlio Vargas, em Bangu; e Pedro Ernesto, na Lagoa. Silva atuou como chefe da divisão até 1935, o que incluiu reflexões no campo teórico e da divulgação profissional, como pode ser observado no artigo “Os novos prédios escolares do Distrito Federal”, publicado na Revista da Diretoria de Engenharia, em maio de 1935.

Fora do campo escolar, outro importante episódio da carreira de Enéas Silva foi a vitória no concurso para realizar o projeto da sede do Ministério da Fazenda, em 1936, em parceria com Wladimir Alves de Souza. No entanto, o projeto não chegou a ser executado por ordem do então ministro da Fazenda, Artur de Souza Costa, que rejeitou o vencedor e ainda o segundo colocado – com proposta elaborada pela equipe formada por Oscar Niemeyer, Jorge Machado Moreira e José de Souza Reis –, por preferir um estilo mais conservador. O então ministro encomendou a construção ao arquiteto Luís Eduardo Frias de Moura, autor do prédio atual na Esplanada do Castelo.

Outro projeto relevante executado pelo arquiteto Enéas Silva, em parceria com Raul Penna Firme, foi o edifício da sede histórica da Real Sociedade do Clube Ginástico Português, na Avenida Graça Aranha, inaugurado em 1938. O arquiteto ainda teve destaque em outros concursos, como da nova sede do Clube de Engenharia, em parceria com Wladimir Alves; e do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, em parceria com Penna Firme. No entanto, ambos os projetos não chegaram a ser executados, sendo as construções atuais atribuídas a outros profissionais.

Enéas Trigueiro Silva faleceu em 1978 e sua trajetória revela um arquiteto cuja obra foi indissociável do projeto de modernização do Estado brasileiro nas décadas de 1930 e 1940, formulando uma nova tipologia arquitetônica capaz de abrigar as inovações pedagógicas da Escola Nova.

Produção destacada

Rio de Janeiro - RJ

Sede da Real Sociedade Clube Ginástico Português – 1938

Sede da Real Sociedade Clube Ginástico Português – 1938

Rio de Janeiro - RJ

Programa de construção de unidades escolares no Rio de Janeiro – 1931 - 1935

Enéas Silva como chefe da Divisão de Prédios e Aparelhamentos Escolares do Distrito Federal (Rio de Janeiro), em colaboração técnica de Wladimir Alves de Souza, Attílio Corrêa Lima, Paulo de Camargo Almeida e Raul Penna Firme na formulação tipológica e diretriz técnica aplicada ao programa de edificações escolares municipais. Exemplares foram os projetos da Escola Municipal México; Escola Municipal República Argentina; e Liceu de Artes e Ofícios.

Rio de Janeiro – RJ

Concurso para a sede do Ministério da Fazenda – 1936

Projeto vencedor de Enéas Silva em parceria com Wladimir Alves de Souza; projeto não executado. O edifício atual foi encomendado a Luís Eduardo Frias de Moura.

Saiba mais

ABREU, Maurício de Almeida. Arquitetura escolar e modernização educacional no Brasil. Rio de Janeiro: UFRJ, 2007.

BIERRENBACH, Ana Cristina. Fluxos e influxos. Arquitextos, São Paulo, ano 12, n. 139.02, Vitruvius, dez. 2011. Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.139/4158.

CARVALHO, Marta Maria Chagas de. A escola e a República e outros ensaios. Bragança Paulista: EDUSF, 2003.

CAVALCANTI, Lauro. As preocupações do belo: arquitetura moderna brasileira dos anos 30 aos anos 40. Rio de Janeiro: Taurus, 1995.

CHAHIN, Samira Bueno. Cidade nova, escolas novas? Anísio Teixeira, arquitetura e educação. 2018. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.

DÓREA, Célia Rosângela Dantas. A arquitetura escolar como objeto de pesquisa em História da Educação. Educar em Revista, Curitiba, n. 49, p. 207-221, set. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/er/a/VRRQSPBcDhQscb7bYn4C5Qq/?lang=pt.

FAPERJ. FAU guarda parte da história da arquitetura moderna. Rio de Janeiro, 2009.

FERNANDES, Noemia Lucia Barradas. Arquitetura escolar carioca: edificações construídas entre 1930 e 1960. 2006. Dissertação (Mestrado) – PROARQ/UFRJ, Rio de Janeiro.

LIMA, Yago Rodrigo Freitas. O Museu da Fazenda Federal e a musealização de um palácio ministerial. 2021. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021.

MOREL, Marcia. Arquitetura escolar, reformas educacionais e espaço público no Distrito Federal. 2016. Tese – UFRJ.

OLIVEIRA, Larissa Santana de. As escolas experimentais de Anísio Teixeira: suas contribuições para educação brasileira. Trabalho de Conclusão de Curso – Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2022.

PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. Listagem de bens tombados municipais. Rio de Janeiro.

PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Escolas Públicas do Rio de Janeiro. Decreto de Tombamento nº 9.414 de 21/06/1990. Disponível em: https://www.ipatrimonio.org/rio-de-janeiro-escolas-publicas-do-rio-de-janeiro/.

RIO MEMÓRIAS. Escola Municipal Getúlio Vargas. Rio de Janeiro. Fonte de apoio com cautela crítica.

SÁ, João dos Santos. O G.E. Silveira Martins de Bagé/RS. Cadernos de História da Educação, v. 21, p. 1-20, 2022.

SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO. Escolas Tombadas: E.M. República Argentina. Disponível em: http://www0.rio.rj.gov.br/sme/crep/escolas/escolas_tombadas/em_republica_argentina.htm.

SILVA, Enéas. A circulação do prédio escolar. Rio de Janeiro: Departamento de Educação do Distrito Federal, 1935.

SILVA, Enéas. Os novos prédios escolares do Distrito Federal. Revista da Diretoria de Engenharia, Rio de Janeiro, v. 16, p. 359-365, maio 1935.

SOBREIRA, Fabiano José Arcadio. Concursos de arquitetura em revista: 1935 a 1971. Brasília: UniCEUB, 2018.

TAVARES FILHO, Arthur. Reflexões sobre a noção de tipo morfológico e o programa arquitetônico: os casos das escolas municipais Estados Unidos e República Argentina. 2005. Dissertação (Mestrado) – UFRJ, Rio de Janeiro.

Fontes complementares de menção

Acervo de Wladimir Alves de Souza, estudos da UFRJ.

ATENDIMENTO

CAU/RJ

ESCRITÓRIO

CAU/RJ

SEDE DO CAU/RJ

MAIS INFORMAÇÕES

CENTRAL DE ATENDIMENTO

CAU/BR