Francisco Bolonha

Francisco Bolonha

Local de nascimento Pará, Brasil
Nasc. / falec. 1923 - 2006
Escola e ano de formação Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil ,  1945

Biografia

Francisco de Paula Lemos Bolonha nasceu em 3 de junho de 1923, em Belém do Pará, onde passou a infância. Ainda jovem, foi enviado ao Rio de Janeiro a fim de se preparar para o curso de Arquitetura, o que aconteceu em 1940, com seu ingresso na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA). Em 1945, já no contexto da recém-criada Faculdade Nacional de Arquitetura (FNA), da então Universidade do Brasil, concluiu a graduação, integrando a primeira turma diplomada pela nova faculdade.

O primeiro destaque em relação ao seu trabalho ocorre já em 1947, quando concorreu no concurso para a sede do Jóquei Clube do Rio de Janeiro, como parte da equipe com Giuseppina Pirro, Lygia Fernandes e Israel de Barros Correia, obtendo o terceiro lugar. Apesar da colocação, seu desenho foi publicado na capa da revista L’Architecture d’Aujourd’Hui, em 1948.

Entre um dos seus primeiros trabalhos de maior repercussão está a Fonte Andrade Júnior, no Parque do Barreiro, em Araxá-MG, indicado por Roberto Burle Marx. Francisco Bolonha também teve participação no Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes (conhecido como Pedregulho), integrando a equipe de Afonso Eduardo Reidy e Carmen Portinho. Em relação aos trabalhos autorais, neste início de carreira, ganham destaque as moradias sociais, com a construção dos conjuntos de Paquetá e Vila Isabel. O Conjunto Residencial de Paquetá, inaugurado em 30 de março de 1952, é reconhecido como uma das experiências mais relevantes de moradia social moderna de sua época, no país. O Conjunto de Vila Isabel (1954–1955), embora interrompido e parcialmente executado, revela sua ambição em escala urbana, prevendo mais de 800 unidades e ampla infraestrutura coletiva.

No campo residencial unifamiliar, a Casa Hildebrando Accioly, em Petrópolis, projetada entre 1949 e 1951, permanece como uma de suas obras mais reconhecidas e conta ainda com colaboração de Emeric Marcier, que pintou motivos religiosos na capela da residência. A Casa Adolpho Bloch, em Teresópolis, também figura entre suas obras de referência e foi também publicada na revista L’Architecture d’Aujourd’Hui, em 1962.

Em Cataguases, cidade mineira famosa pelo acervo arquitetônico modernista, realizou um conjunto de obras que associa de modo exemplar arquitetura e artes plásticas, como a Casa Nanzita Salgado e o Educandário Dom Silvério, ambos de 1954, que contam com colaborações de Anísio Medeiros e Emeric Marcier. No monumento a José Inácio Peixoto, de 1958, sua obra incorpora uma escultura de Bruno Giorgi e a painel de azulejos de Candido Portinari. Também se destacam como obras do arquiteto na cidade a Praça Rui Barbosa, em parceria com Luzimar Goes Teles (1957) e a Vila Operária Cia Industrial (1960). Também atribuídas a Bolonha naquela cidade são as residências de José de Castro (1948), Wellington de Souza (1948), Ottônio Alvim Gomes (1957-1958) e José Pacheco de Medeiros Filho (1945-1947).

Em Vitória, no estado do Espírito Santo, o Jardim de Infância Ernestina Pessoa e a Concha Acústica do Parque Moscoso, ambos de 1952, constituem núcleos consistentes de sua produção fora do Rio de Janeiro. Nesse contexto, o Mosteiro de Nossa Senhora das Graças, em Belo Horizonte, também se destaca.

Um dos capítulos mais relevantes de sua trajetória foi sua atuação à frente da Divisão/Departamento de Construções e Equipamento Escolar da Guanabara, entre 1960 e 1964. Bolonha desenvolveu cinco projetos-padrão e coordenou a construção de mais de 242 escolas, recebendo a Medalha Anchieta, em 1965, pelos serviços prestados à educação. Entre as escolas públicas, durante a vigência do Estado da Guanabara, destacam-se: Roma; Dr. Cícero Penna; Joaquim Abílio Borges; André Maurois; Augusto Magne; Camilo Castelo Branco; Joseph Bloch; além do Colégio Andrews, estabelecimento de ensino particular.

Também participou em obras e projetos de infraestrutura e telecomunicações, em consultoria prestada à Companhia Estadual de Telefones do Estado da Guanabara – CETEL; como a Estação Telefônica de Paquetá, os projetos para a TELEBRÁS/CPqD, em Campinas; e os centros de treinamento em Brasília, Recife e Rio de Janeiro. Nesse contexto, o projeto do edifício-sede da CETEL recebeu o prêmio de viagem no Salão de Arte Moderna de 1968. Esse prêmio possibilitou sua permanência na Europa por aproximadamente dois anos, a partir de 1971.

Francisco Bolonha faleceu em 30 de dezembro de 2006, no Rio de Janeiro e sua atuação profissional o coloca em lugar de destaque na historiografia da arquitetura moderna brasileira.

Produção destacada

Rio de Janeiro - RJ

Edifício-sede da Companhia Estadual de Telefones do Estado da Guanabara – CETEL – 1967 - 1970

Bolonha foi arquiteto/consultor para a CETEL.

Cataguases - MG

Residência Ottônio Alvim Gomes – 1954

Bolonha foi o arquiteto projetista, com mobiliário de Joaquim Tenreiro e colaborações artísticas de Emeric Marcier e Anísio Medeiros.

Cataguases - MG

Residência Wellington de Souza – 1948

Francisco Bolonha foi o arquiteto projetista.

Cataguases - MG

Vila Operária da Companhia Industrial de Cataguases – 1960

Bolonha foi o arquiteto de dois conjuntos habitacionais para funcionários da Companhia Industrial de Cataguases.

Cataguases - MG

Monumento a José Inácio Peixoto – 1958

Bolonha foi o arquiteto projetista, com escultura de Bruno Giorgi e painel de azulejos de Candido Portinari, executado por Américo Braga.

Araxá - MG

Fonte Andrade Júnior - 1947

Bolonha foi o arquiteto projetista, indicado por Roberto Burle Marx.

Cataguases - MG

Residência José Pacheco de Medeiros Filho – 1945 - 1947

Foi arquiteto paisagistaassociado/participação atribuída em projeto registrado também com Aldary Henriques Toledo.

Rio de Janeiro - RJ

Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes (Pedregulho) – 1947 - 1952

Integrante da equipe de Affonso Eduardo Reidy e Carmen Portinho.

Saiba mais

BOLONHA, Francisco. Francisco Bolonha (1923–2006). DOCOMOMO Brasil, Porta-retratos, [s.d.].

BRASILIANA FOTOGRÁFICA. Conjunto Residencial de Paquetá; Conjunto Residencial de Vila Isabel. Biblioteca Nacional / IMS, [s.d.].

BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 2010.

BONDUKI, Nabil. Origens da habitação social no Brasil: arquitetura moderna, lei do inquilinato e difusão da casa própria. 7. ed. São Paulo: Estação Liberdade, 2017.

COSTA, Angélica Irene da. Arquitetura escolar moderna no Brasil: sentidos, projetos e permanências. 2014. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, São Carlos, 2014.

DIAS, Adriana Modesto.A cidade como narrativa: Francisco Bolonha e o papel da arquitetura e da engenharia no processo de modernização de Belém – 1897-1938. 2014. Tese (Doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2014.

DOCOMOMO BRASIL. Francisco Bolonha (1923–2006). Rio de Janeiro: DOCOMOMO Brasil, [s.d.]. (Série Porta-retratos).

ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL DE ARTE E CULTURA BRASILEIRA. Francisco Bolonha. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/31864-francisco-bolonha.

FERREIRA, Agnes Leite Thompson Dantas; MIRANDA, Clara Luiza. Arquitetura de edifícios escolares: o jardim de infância Ernestina Pessoa de Francisco Bolonha. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO MINAS GERAIS, 1., 2010. Anais… Belo Horizonte, 2010.

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LIMA, Fernanda Justino de et al. O Barreiro do Araxá em três tempos: dilemas para a preservação do complexo balneário em Araxá/MG. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, [s.n.], [s.d.]. Anais… [S.l.: s.n.], [s.d.].

MACEDO, Oigres Leici Cordeiro de. Francisco Bolonha: ofício da modernidade. 2003. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2003.

MINDLIN, Henrique E. Arquitetura moderna no Brasil. Rio de Janeiro: Aeroplano, 1999.

MUSEU DE ARTE MODERNA DO RIO DE JANEIRO. Casas proletárias: Paquetá e Vila Isabel. Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, [s.d.]. Exposição virtual.

NASCIMENTO, Flávia Brito do. Casas não são ilhas: morada popular e arquitetura moderna nos conjuntos residenciais de Paquetá. In: SEMINÁRIO DOCOMOMO BRASIL, [s.n.], [s.d.]. Anais… [S.l.: s.n.], [s.d.].

NASCIMENTO, Flávia Brito do. Carmen Portinho e o habitar moderno. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, Rio de Janeiro, v. 9, n. 2, p. [s.p.], 2007.

PEREIRA, Matheus. Cataguases: legado da modernidade. ArchDaily Brasil, São Paulo, 31 ago. 2017.

POPPE, Marcia. Para dentro da concha: um olhar sobre a produção do arquiteto Francisco Bolonha. Arquitextos, São Paulo, ano 07, n. 080.01, jan. 2007.

POPPE, Marcia Aparecida da Costa. O Mosteiro de Nossa Senhora das Graças em Belo Horizonte: um espaço sagrado de habitar na arquitetura de Francisco Bolonha. 2004. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) – PROARQ/UFRJ, Rio de Janeiro, 2004.

SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil: 1900–1990. 3. ed. São Paulo: Edusp, 2010.

SILVA, Renato Alves e. O desafio da preservação do patrimônio arquitetônico moderno. Dissertação. IPHAN / repositório digital.

VITÓRIA (ES). Prefeitura Municipal. Concha Acústica do Parque Moscoso: a mais antiga em atividade e a única tombada no país. Vitória, 2026.

IPHAN. Cataguases (MG). Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, [s.d.].

LIMA, Fernanda Justino de et al. O Barreiro do Araxá em três tempos: dilemas para a preservação do complexo balneário em Araxá/MG. Anais do Docomomo Brasil, [s.d.].

MUSEU DE ARTE MODERNA DO RIO DE JANEIRO. Casas proletárias, Paquetá e Vila Isabel. Exposição virtual Carmen Portinho.

ARCHDAILY BRASIL. Clássicos da Arquitetura: Fonte Andrade Júnior / Francisco Bolonha. 2017.


Imagens

Foto 24.4 – Residência Ottônio Alvim Gomes, Cataguases, MG, ano 1957/58 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 88;

Foto 24.4.1 – Residência Ottônio Alvim Gomes, Cataguases, MG – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 89;

Foto 24.4.2 – Residência Ottônio Alvim Gomes, Cataguases, MG – corte longitudinal – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 90;

Foto 24.4.3 – Residência Ottônio Alvim Gomes, Cataguases, MG – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 91;

Foto 24.5 – Vila operária da Companhia industrial, Cataguases, MG, ano 1960 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 120;

Foto 24.5.1 – Vila operária da Companhia industrial, Cataguases, MG, ano 1960 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 121;

Foto 24.5.2 – Vila operária da Companhia industrial, Cataguases, MG, ano 1960 – planta baixa térreo e do primeiro pavimento – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 122;

Foto 24.5.3 – Vila operária da Companhia industrial, Cataguases, MG, ano 1960 – planta baixa térreo e do primeiro pavimento – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 123;

Foto 24.6 – Monumento a José Inácio Peixoto, Cataguases, MG, ano 1953 a 1958 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 124;

Foto 24.6.1 – Monumento a José Inácio Peixoto, Cataguases, MG, ano 1953 a 1958 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 125;

Foto 24.6.2 – Monumento a José Inácio Peixoto, Cataguases, MG, ano 1953 a 1958 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 126;

Foto 24.8 – Fonte Andrade Junior, Araxá, MG –  fonte: Revista  L’architecture D’aujourd ‘hui, ano 09/1947, pág 76;

Foto 24.8.1 – Fonte Andrade Junior, Araxá, MG –  fonte: Revista  L’architecture D’aujourd ‘hui, ano 09/1947, pág 77;

Foto 24.8.2 – Fonte Andrade Junior, Araxá, MG – fonte: Revista Arquitetura Contemporanea no Brasil;

Foto 24.12 – Edifício CETEL, Rua Hanníbal Porto 450, Irajá, RJ – fonte: Biblioteca Nacional/BND;

Foto 4.3 – Residência José Pacheco em Cataguases, MG – fonte: Revista L’architecture D’aujourd ‘hui, ano 08/1952, pág. 126;

Foto 4.3.1 – Residência José Pacheco em Cataguases, MG, 1945 a 1947 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 94;

Foto 4.3.2 – Residência José Pacheco em Cataguases, MG, 1945 a 1947 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 95;

Foto 4.3.3 – Residência José Pacheco em Cataguases, MG, 1945 a 1947 – fonte: Guia da Arquitetura Modernista de Cataguases, pág. 96;

Foto 4.3.4 – Residência José Pacheco em Cataguases – perspectiva – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;

Foto 4.3.5 – Residência José Pacheco em Cataguases – fotos – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;

Foto 4.3.6 – Residência José Pacheco em Cataguases – fotos – fonte: Material pesquisado pelo Arquiteto André Marques para sua tese de Doutorado na Universidade Mackenzie, São Paulo, SP;

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