CAU/RJ
Gastão da Cunha Bahiana nasceu em Paris em 12 de abril de 1874, segundo a hipótese documental hoje mais consistente. Ao chegar ao Brasil, foi batizado em Teresópolis, na fazenda Comary, propriedade de seu pai, onde passou a infância. Em 1883 retornou à França para sua formação escolar e técnica. Diplomou-se engenheiro civil em 1893 pela École des Hautes Études Industrielles, da Faculdade Católica de Lille. Seu retorno ao Brasil ocorreu entre 1893 e 1897, ano que aparece vinculado à Escola Nacional de Belas Artes – ENBA, no Rio de Janeiro, por meio da tese de livre-docência com o título Considerações sobre as abobadas esconsas, registrada na Biblioteca Digital de Obras Raras da UFRJ.
A docência na ENBA é um dos pontos sólidos de sua trajetória, onde ministrou disciplinas técnicas e construtivas, como Geometria, Perspectiva, Sombras, Estereotomia, História e Teoria da Arquitetura, Legislação e Higiene das habitações. Nesse período, também se destaca sua relação com Lucio Costa, do qual foi professor. Foi na escola que ocorreu outro destaque de sua carreira, quando em 26 de janeiro de 1921, às 16 horas, na sala de Teoria e História da Arquitetura, se reuniram 27 engenheiros-arquitetos e fundaram o Instituto Brasileiro de Arquitetos, futuro Instituto de Arquitetos do Brasil, elegendo Gastão Bahiana como primeiro presidente.
Sua produção intelectual também se destaca pela atuação na revista Architectura, no Brasil, periódico central para os debates profissionais, técnicos e institucionais da arquitetura brasileira na década de 1920. Nesse espaço, Gastão Bahiana aparece apenas como agente ativo na formulação de uma agenda para a profissão, articulando ensino, regulamentação, prática construtiva, urbanismo e reconhecimento social do arquiteto. Textos como “O architecto no Brasil” e “Fundamentos da Architectura Brasileira” indicam sua preocupação em definir o papel específico do arquiteto em um campo ainda fortemente atravessado pela engenharia. Já escritos como “Regulamentação das construções: pés-direitos”, “Unificação dos regulamentos de construção federal e municipal” e os textos sobre concursos de projeto revelam sua atenção às normas urbanas, aos procedimentos administrativos e à necessidade de critérios técnicos e públicos para a produção arquitetônica.
Essa dimensão intelectual também se desdobra em sua intervenção direta junto ao poder público. Os memoriais encaminhados ao prefeito Carlos Sampaio, ao ministro da Justiça sobre a reforma do ensino artístico e ao prefeito Alaor Prata sobre urbanismo o apresentam enquanto um profissional envolvido nas disputas institucionais sobre a modernização da capital federal, a reorganização do ensino e a definição de parâmetros para a cidade. Do mesmo modo, textos como “Um século de arquitetura no Brasil” e aqueles dedicados aos novos bairros da Glória e de Santa Luzia, demonstram uma leitura histórica e urbana da arquitetura e das transformações da cidade do Rio de Janeiro.
A produção arquitetônica de Gastão Bahiana reúne obras construídas, atribuições tradicionais e projetos preservados em acervo, principalmente no que leva o seu nome, depositado no Núcleo de Pesquisa e Documentação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro — NPD/FAU-UFRJ, onde se encontram pranchas relativas a igrejas, edifícios, residências, projetos civis e estudos técnicos.
Entre as obras religiosas, destaca-se a Igreja do Bom Jesus do Monte de Paquetá, no Rio de Janeiro, com projeto e obra de 1899. Entre 1904 e 1909, a tradição atribui a Gastão Bahiana a antiga Matriz de Nossa Senhora de Copacabana, posteriormente demolida, e a Igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, no ambas no Rio de Janeiro.
O Pavilhão de Estatística da Exposição Internacional do Centenário da Independência, projetado em 1921 e construído para a exposição de 1922, também é obra é atribuída a Gastão Bahiana, contando com a participação de Nereu Sampaio na cúpula. O prédio atualmente é onde se localiza Centro Cultural do Ministério da Saúde.
Entre 1928 e 1930, aparecem pranchas relacionadas à Catedral de Campos, em Campos dos Goytacazes, considerada a obra mais relevante do conjunto de projetos religiosos, mas sua execução e a extensão exata da autoria ainda dependem de confirmação. No mesmo conjunto de projetos religiosos preservados no NPD/FAU-UFRJ, aparecem pranchas relativas à Igreja de Sant’Anna, datada de 1939; uma igreja para a cidade de Corumbá (MS), datada de 1927; uma para Manaus (AM), datada de 1934; uma igreja em Niterói, com data estimada de 1944; à Catedral de Goiás (GO), datada de 1929; e à Catedral de Porto Velho (RO), com data estimada de 1941. Esses itens estão documentados como projetos ou pranchas no acervo, mas não tiveram suas execuções confirmadas.
No campo da arquitetura civil, o Carlton Hotel, no Rio de Janeiro, aparece no NPD/FAU-UFRJ como projeto atribuído a Gastão Bahiana. Também se encontram no mesmo acervo, pranchas relacionadas à Embaixada da Argentina; a um prédio na Avenida Paulo de Frontim, datado de 1924; prédios e edifícios sem título; além de fachadas residenciais e casas que não podem ser apresentados como obras construídas. Há ainda o Lar das Férias do Professor Stefan Wangershein, em Teresópolis, projeto civil datado de 1937, contudo, sua execução não foi confirmada.
Gastão da Cunha Bahiana faleceu em 1959, no Rio de Janeiro, aos 85 anos.
Rio de Janeiro - RJ
Arquiteto responsável pelo projeto geral, com participação de Nereu Sampaio na cúpula original.
Rio de Janeiro - RJ
Arquiteto/projetista responsável pelo projeto e obra da igreja.
Rio de Janeiro – RJ
Arquiteto/projetista responsável por projetos em terrenos de propriedade do Mosteiro de São Bento. Executados por Joaquim Leite Fonseca.
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