CAU/RJ
Heitor de Mello nasceu no Rio de Janeiro em 12 de setembro de 1875. Ingressou no curso de arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes, na mesma cidade, em meados da década de 1890, obtendo seu diploma em 1900. Teve como professores Adolfo Morales de Los Rios e Ernesto da Cunha de Araújo Vianna, em um contexto institucional associado à direção de Rodolfo Bernardelli. Alguns anos antes de sua formatura, em 1898, fundou o Escritório Técnico Heitor de Mello, que veio a se tornar uma das primeiras grandes firmas de planejamento e construção da então capital federal. O pesquisador Paulo Santos informa um importante quantitativo de projetos elaborados por Heitor de Mello: entre 1898 e 1905, 17 projetos; entre 1906 e 1913, 25 projetos; e entre 1914 e 1920, 41 projetos.
Importante destacar que o escritório também era responsável pela construção de edificações. A imprensa da época informa que, em 1906, Heitor de Mello esteve associado à construção do edifício do Club de Engenharia, na Avenida Central, com projeto de Raphael Rebecchi. Nessa ocasião, foi noticiado um desabamento de parte das obras do edifício, que causou mortes de operários e levou a um processo judicial, do qual Heitor de Mello não foi responsabilizado criminalmente. Outra polêmica que ganhou os noticiários foi a construção do Clube Naval, projeto de 1905 do italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, com Heitor de Mello responsável pela construção. Durante a obra, Bezzi acusou Heitor de alterar seu projeto, que por sua vez respondeu que, na verdade, ele também seria responsável pela ornamentação da fachada. Heitor ainda aparece como construtor do edifício de Antônio Maria da Costa, na Avenida Rio Branco, com projeto de Morales de Los Rios de 1904-05.
Em 1907, Heitor de Mello apresentou, em parceria com Francisco de Oliveira Passos, o projeto “Semper” para o novo prédio do Congresso Nacional. O projeto foi exibido na Escola Nacional de Belas Artes, com menção de que teria sido premiado. Contudo, a proposta não chegou a ser construída. Em 1908, recebeu o Grande Prêmio de Arquitetura na Exposição Nacional, reconhecimento que confirma sua projeção profissional no período.
Entre seus projetos, podem ser destacados: o Palácio da Polícia, também conhecido como Repartição Central de Polícia ou antigo prédio do DOPS, no Centro do Rio de Janeiro, inaugurado 1910; o edifício-sede do Jockey Club, na Avenida Rio Branco, esquina com a Avenida Almirante Barroso, inaugurado em 1913; e o Derby Club, inaugurado em 1916, na mesma avenida, ao lado do Jockey Club. Os prédios do Jockey e Derby foram demolidos na década de 1970. Também está relacionada à atuação de Heitor, a reforma/ampliação do Hospital Central do Exército, situado no bairro de Benfica, em 1911.
Heitor de Melo também atuou como docente na Escola Nacional de Belas Artes, onde foi nomeado professor de Composição de Arquitetura em 1913, com promoção a catedrático em 1918. Durante suas faltas, foi substituído por Adolfo Morales de Los Rios e Raul Lessa Saldanha da Gama. Entre os nomes ligados a sua influência está Archimedes Memória, aluno entre 1911 e 1916, que se tornou seu colaborador a partir de 1918.
Heitor de Mello faleceu prematuramente em 1920, aos 45 anos. Após sua morte, Archimedes Memória assumiu a direção de seu escritório, ao lado do arquiteto franco-suíço Francisque Couchet. Compreender essa sucessão é importante para situar a autoria de obras posteriores associadas ao Escritório Técnico Heitor de Mello, como a do Palácio Pedro Ernesto, atual sede da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O projeto foi iniciado por Heitor de Mello, mas desenvolvido, adaptado e concluído por Archimedes Memória e Francisque Couchet após sua morte. O mesmo cuidado vale para tratar a autoria do Palácio Tiradentes.
Após sua morte, Heitor de Mello recebeu reconhecimento imediato. Em 1920, foi realizada uma exposição póstuma de seus trabalhos na Escola Nacional de Belas Artes. O Prêmio Heitor de Mello, instituído em 1921, foi homenagem póstuma e mecanismo de promoção de repertórios tradicionais/nacionais ligados ao Instituto Brasileiro de Arquitetos e a José Marianno Filho.
Rio de Janeiro - RJ
Projeto iniciado por Heitor de Mello; desenvolvido, adaptado e concluído após sua morte por Archimedes Memória e Francisque Cuchet, na continuidade do Escritório Técnico Heitor de Mello. Antigo Conselho Municipal do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro - RJ
Responsável por projetos na avenida, bem como construção/empreitada das obras em edifícios projetados por Raphael Rebecchi (Club de Engenharia), Adolfo Morales de Los Rios (Edifício de Antônio Maria da Costa), e Tommaso Gaudenzio Bezzi (Clube Naval).
Rio de Janeiro – RJ
Responsável pela execução/construção; projeto de Tommaso Gaudenzio Bezzi. comprovada.
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