Renato Soeiro

Renato Soeiro

Local de nascimento Pará, Brasil
Nasc. / falec. 1911 - 1984
Escola e ano de formação Escola Nacional de Belas Artes ,  1937

Biografia

Renato de Azevedo Duarte Soeiro nasceu em Belém do Pará, em 23 de dezembro de 1911. Ingressou no curso de Arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, em 15 de março de 1932, formando-se em 1937. Nesse mesmo ano, aparece ligado a Estação de Passageiros de Hidroaviões do Rio de Janeiro, no Aeroporto Santos Dumont. O projeto vencedor do concurso foi liderado por Attilio Corrêa Lima e contou com a colaboração de Jorge Ferreira, Renato Mesquita dos Santos, Renato Soeiro e Tomás Estrela. A obra foi construída entre 1937 e 1938 às margens da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

Em 1938, Renato Soeiro ingressou no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – SPHAN, criado em 1937 e dirigido por Rodrigo Melo Franco de Andrade. Entrou na instituição como assistente técnico de 3ª classe e foi contratado como arquiteto em 1940. A partir da década de 1940, Renato Soeiro consolidou sua trajetória dentro da estrutura federal de patrimônio. Em 1946, assumiu a direção da Divisão de Conservação e Restauração – DCR, da então Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – DPHAN, permanecendo nessa função até 1967. A DCR era a área técnica ligada a obras, conservação, restauração e acompanhamento de intervenções em bens protegidos. Essa função fez de Soeiro um dos principais quadros técnicos da instituição.

Nas décadas de 1950 e 1960, ampliou sua atuação para o campo internacional da preservação, com participação em redes de cooperação com organismos multilaterais, especialmente a UNESCO, com presença em reuniões, congressos e documentos ligados à proteção de bens culturais, conservação de monumentos, turismo cultural e desenvolvimento. Participou da reunião de especialistas da UNESCO em Paris, em 1952; do Simpósio Panamericano para a Preservação de Monumentos Históricos, em St. Augustine; e da reunião de Quito, em 1967, ano em que sucedeu a Rodrigo Melo Franco de Andrade na direção do DPHAN.

A partir desse momento, passou a exercer a direção da política federal de preservação do patrimônio, permanecendo à frente da instituição até 1979. Durante sua gestão, o órgão passou pela transformação de DPHAN em IPHAN, em 1970. Renato Soeiro também aparece como presidente do Conselho Consultivo. Sua gestão coincidiu com um período político complexo, marcado pela ditadura militar, mas também por uma ampliação das agendas de preservação. Um de seus principais marcos à frente do órgão foi o Programa de Cidades Históricas, formulado e implementado a partir de 1972–1973, que aproximou preservação, desenvolvimento regional, turismo cultural e planejamento urbano. Os tombamentos tratados no período de sua presidência apontam uma inflexão: ao lado da permanência de igrejas, edifícios públicos e monumentos tradicionais, ganharam maior presença conjuntos urbanos, áreas de entorno, paisagens naturais, bens móveis modernistas, patrimônio arqueológico e espaços de valor cultural mais amplo, como o Morro do Pão de Açúcar, o Horto Florestal, o Parque Lage, o Ver-o-Peso, a Estação da Luz, bens ligados a Candido Portinari em Batatais e processos relacionados a Itaipu.

Durante sua presidência, Soeiro esteve ligado à descentralização administrativa do IPHAN e à ampliação de diretorias regionais. Também merece destaque os Encontros de Governadores para a Preservação do Patrimônio, em 1970 e 1971, e a participação brasileira em debates internacionais de patrimônio, com uma abordagem de aproximação entre preservação e planejamento. Sua gestão aparece ainda relacionada à criação ou fortalecimento de ações de formação técnica, como o Curso de Especialização em Conservação de Monumentos e Conjuntos Históricos, realizado em 1974.

No campo da produção técnica e intelectual, Renato Soeiro aparece com uma produção predominantemente institucional, onde a Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ocupa lugar relevante pela continuidade editorial, com apresentações assinadas nos números 17 e 18.

Em 1979, depois de 41 anos de serviço na instituição, Renato Soeiro se aposentou. Cinco anos mais tarde, em 1984, faleceu na cidade do Rio de Janeiro.

Produção destacada

Rio de Janeiro - RJ

Estação de Passageiros de Hidroaviões do Rio de Janeiro – 1937

Colaboração em equipe no projeto vencedor do concurso nacional, sob liderança/autoria principal de Attilio Corrêa Lima. A equipe foi composta por Attilio Corrêa Lima, Jorge Ferreira, Renato Mesquita dos Santos, Renato Soeiro e Tomás Estrela.

Brasil

Atuação na Divisão de Conservação e Restauração da DPHAN – 1946 - 1967

Diretor da Divisão de Conservação e Restauração, área técnica ligada a obras, conservação, restauração e acompanhamento de intervenções em bens protegidos.

Brasil

Direção da política federal de preservação na DPHAN/IPHAN – 1967 - 1979

Diretor da DPHAN e, após 1970, dirigente do IPHAN; presidente do Conselho Consultivo; responsável institucional pela política federal de preservação durante sua gestão.

Brasil

Descentralização administrativa do IPHAN e ampliação das diretorias regionais – 1972

Dirigente do IPHAN responsável institucional por processo de reorganização administrativa e territorial da preservação federal.

Brasil

Processos patrimoniais sob presidência de Soeiro – década de 1970

Presidente do Conselho Consultivo/dirigente do IPHAN em período no qual diversos tombamentos/processos importantes são tratados, como Morro do Pão de Açúcar, Parque Lage e Horto Florestal, no Rio de Janeiro - RJ; Ver-o-Peso, em Belém – PA; Estação da Luz, em São Paulo - SP; e bens ligados a Cândido Portinari em Batatais – SP.

Saiba mais

ANDRADE, Carlos Drummond de. A recompensa de Soeiro. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Caderno B, p. 5, 22 mar. 1979.

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Imagens

Foto 48 – fonte: Renato Soeiro – foto da Revista Casa de Itália, Ano 02, nº14, 2021 – Edição de Patrimônio – ISSN: 2764-0841;

Foto 11.2 – Estação de Hidroaviões, Centro, RJ – projeto 1937/38, fonte: Revista L’architecture D’aujourd ‘hui, ano 09/1947, pág. 70;

Foto 11.2.1 – Estação de Hidroaviões, Centro, RJ – projeto 1937/38 – plantas e foto – fonte: fonte: livro Arquitetura Moderna no Brasil, pág. 246;

Foto 11.2.2 – Estação de Hidroaviões, Centro, RJ – projeto 1937/38 – foto da fachada – fonte: fonte: livro Arquitetura Moderna no Brasil, pág. 247;

Foto 11.2.3 – Estação de Hidroaviões, Centro, RJ – fonte: Coleção Marcel Gautherot/IMS, circa 1955;

Foto 11.2.4 – Estação de Hidroaviões, Centro, RJ – fonte: Coleção Marcel Gautherot/IMS, circa 1955;

Foto 11.2.5 – Estação de Hidroaviões, Centro, RJ – fonte: Coleção Marcel Gautherot/IMS, circa 1955;

Foto 11.2.6 – Estação de Hidroaviões, Centro, RJ – foto do interior – fonte: Livro: Arquitetura na Bienal de São Paulo, autor: Dante Paglia, lançamento 1952, editora: EDIAM;

Foto 11.2.7 – Estação de Hidroaviões, Centro, RJ – foto do interior – fonte: Livro: Arquitetura na Bienal de São Paulo, autor: Dante Paglia, lançamento 1952, editora: EDIAM;

Foto 11.2.8 – Estação de Hidroaviões, Centro, RJ – foto externa – fonte: Livro: Arquitetura na Bienal de São Paulo, autor: Dante Paglia, lançamento 1952, editora: EDIAM;

Foto 11.2.9 – Estação de Hidroaviões, Centro, RJ – foto externa – fonte: Livro: Arquitetura na Bienal de São Paulo, autor: Dante Paglia, lançamento 1952, editora: EDIAM;

Foto 11.2.10 – Estação de Hidroaviões, Centro, RJ – foto externa – fonte: Livro: Arquitetura na Bienal de São Paulo, autor: Dante Paglia, lançamento 1952, editora: EDIAM;

Foto 11.2.11 – “The Seaplane Station” – fonte: Acervo da Revista Architectural Review, vol. 95, ano 03/1943, pág 72;

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